17 de janeiro de 2013

Tristeza de Verão

Às vezes dá-me uma dor no peito que me enlouquece. Eramos muito novos quando começamos a criar esta amizade de longos anos. Experimentámos os primeiros cigarros juntos, depois começámos a fumar pontualmente ainda muito constrangidos como se estivéssemos a cometer um crime, hoje somos fumadores. Eramos mesmo muito novos quando começámos a criar esta amizade. A cada ano que passava lá íamos nós conquistando, passo a passo, a nossa liberdade. Íamos à boleia para a cidade e para as festas. Tantas vezes fomos na caixa aberta de carrinhas. Era tudo uma emoção. A adrenalina viajava pelo sangue que nos corria dentro do corpo. Sorriamos. Riamos muito alto. Era uma felicidade: daquelas puras que só a adolescência nos concede. Achávamos. (Hoje acho que nem todos têm esta oportunidade. Nem todos viajaram por estes caminhos luxuosos e loucos da juventude. Nem todos tiveram os verões alucinantes que eu tive. Nem todos recordam com um saudade que dói estes dias e noites quentes, mas também frios, de lugares distantes) Achávamos que não iamos morrer nunca. Mas vamos, hoje, todos nós o sabemos. Depois saltámos o patar: tinhamos carro. O conceito de vivencia mudou. Fomos a sítios mais distantes: a concertos memoráveis, a piscinas privadas de madrugada, ao cimo da Serra, ao rio   ver o amanhecer. Com o passar dos anos as recordações aumentaram. Com o passar dos anos crescemos. Mas, com o passar dos anos acalmámos. A maturidade rouba-nos essa coisa bonita que se chama espontaneidade. Hoje somos mais sóbrios ainda que a nossa loucura esteja lá no fundo do nosso ser. E isso dá-me esperança, dá-me a esperança suficiente para viver e viajar até vocês com o maior amor no coração.


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