Às vezes dá-me uma dor no peito que me enlouquece. Eramos muito novos quando começamos a criar esta amizade de longos anos. Experimentámos os primeiros cigarros juntos, depois começámos a fumar pontualmente ainda muito constrangidos como se estivéssemos a cometer um crime, hoje somos fumadores. Eramos mesmo muito novos quando começámos a criar esta amizade. A cada ano que passava lá íamos nós conquistando, passo a passo, a nossa liberdade. Íamos à boleia para a cidade e para as festas. Tantas vezes fomos na caixa aberta de carrinhas. Era tudo uma emoção. A adrenalina viajava pelo sangue que nos corria dentro do corpo. Sorriamos. Riamos muito alto. Era uma felicidade: daquelas puras que só a adolescência nos concede. Achávamos. (Hoje acho que nem todos têm esta oportunidade. Nem todos viajaram por estes caminhos luxuosos e loucos da juventude. Nem todos tiveram os verões alucinantes que eu tive. Nem todos recordam com um saudade que dói estes dias e noites quentes, mas também frios, de lugares distantes) Achávamos que não iamos morrer nunca. Mas vamos, hoje, todos nós o sabemos. Depois saltámos o patar: tinhamos carro. O conceito de vivencia mudou. Fomos a sítios mais distantes: a concertos memoráveis, a piscinas privadas de madrugada, ao cimo da Serra, ao rio ver o amanhecer. Com o passar dos anos as recordações aumentaram. Com o passar dos anos crescemos. Mas, com o passar dos anos acalmámos. A maturidade rouba-nos essa coisa bonita que se chama espontaneidade. Hoje somos mais sóbrios ainda que a nossa loucura esteja lá no fundo do nosso ser. E isso dá-me esperança, dá-me a esperança suficiente para viver e viajar até vocês com o maior amor no coração.
17 de janeiro de 2013
16 de janeiro de 2013
Inesperadamente inspirada
Ontem decidimos acabar a noite a ver um dos 87432647 filmes que temos no computador. Paris-Manhattan, foi o escolhido. Um filme francês, que por si só já se sabe que é algo inspirador e fascinante pela simplicidade e pelo bom humor inteligente. As expectativas eram acima da média e excederam (como todos os filmes franceses inevitavelmente o têm feito). Talvez esta vontade que se tem pronunciado cada vez mais alto ao longo do tempo de querer viver em Paris um par de anos seja a grande razão para me identificar tanto. O desejo cresce.
Mas culturas à parte, o que verdadeiramente me inspirou ontem foi o estilo da protagonista: uma loira, alta e elegante. Nada o meu género mas linda na sua simplicidade. Roupa tão simples mas com aquele toque de sofisticação que faz toda a diferença. Este é o estilo que mais me atrai. E este será muito provavelmente aquele que irei adoptar nos próximos anos.
15 de janeiro de 2013
Indefinido
E esta fase na minha vida parece não querer passar por nada. É um tempo indefinido. Não dou por o tempo passar. Os dias são todos iguais. Foi Natal, terminou o ano 2012 e começou um novo. Lembro-me tão bem de há dois anos naquela semana entre o Natal e o final do ano estar no café do castelo de Lamego a escrever, numa folha de linha A4, todos os meus desejos para o ano seguinte. E lembro-me de projetar todos esses desejos com alegria e esperança na companhia de uma amiga. Amiga essa que passou este fim-de-semana aqui em casa. Os amigos de há dois anos são os mesmos, não foram embora, não partiram. Não tiraram brilho à minha vida. Nenhuma desgraça assombrou a minha família de tal modo que eu visse a minha vida meia perdida. E até comecei a viver com o meu amor. Mas tudo parece nublado, incerto, indeciso. Não sei do que preciso. Mas sei que preciso de algo. Queria escrever palavras de esperança. Mas não as escrevo.
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