O meu pai não foi feito para ter uma filha que falhe, que não seja das melhores. E pai, não quero ser injusta nas minhas palavras. Obrigado por saberes ser Pai. Mas eu gosto de errar e tenho coragem e hulmildade suficientes para o admitir perante mim, perante a minha vida e os outros, aqueles que têm esperança em mim. Desculpa pai, mas esta sou eu. E sei que não é por falta de coragem ou humildade da tua parte que não gostas que erre, que vá por um caminho mais turbulento, é por saberes que não é o melhor para mim. Mas tu vais perceber pelo caminho que eu for traçando que, eu sou feita de tudo isto, que tudo isto me faz ser melhor, me faz ser humana. Amo-te Pai. Amo-te.
29 de fevereiro de 2012
26 de fevereiro de 2012
Pensamento Privado I
Hoje, imagino amar-te. Imagino-o tão nítida e descontroladamente que quase julgo não ser imaginação. Hoje entrares pela porta de casa a imaginar-me na cama, nua, à tua espera. Despires o corpo e doares o teu suor e a tua pele ao amor. Ao amor que nos suporta. Ao amor que nos suporta tudo. Ao amor, ao nosso amor.
25 de fevereiro de 2012
Próximos dias:
- Aniversário do papa (prenda: um bilhete de futebol, à escolha, para ir ao estádio do Dragão)
- Exame de código (às quatro da tarde, há-de dar sorte*)
- Regresso a Coimbra (para chorar ou festejar)
*o quatro tem uma forte simbologia para mim, é o meu número
24 de fevereiro de 2012
Eu em versão engenheira civil
Há alturas na vida em que estamos em construção, como se fossemos uma casa em obras. Tal e qual: a estrutura base mantém-se, isto é, a placa, que é como quem diz o corpo e todas as nossas limitações e capacidades físicas e em alguns aspectos psicológicas, os valores-base (aqueles que nascemos a ouvir falar-lhes das vantagens e a observar a qualidade de tal atributo nos outros, supostamente deveria ser no nosso pai, na nossa mãe ou nos que de nós fizeram gente) e algumas características pessoais, que por mais voltas que se dê, são nossas e estão "inscritas no nosso ADN", irredutíveis amigos, irredutíveis. Conheço-as bem. Conheço. E tudo o resto, que é o todo-em-mudança-do-primeiro-ao-último-dia, está "em obras", guardamos as recordações, os quadros, as folhas e canetas com a história da gente, os remendos das calças de ganga ou as lições que estão coladas em post-it na alma e andamos à estalada com o orgulho, aos murros com a comodidade/preguiça (coisas tão feias, meu Deus) e temos a guerra instalada no lado esquerdo do peito. É altura de mudar. Dizem que a felicidade é a harmonia entre o que pensamos, dizemos e fazemos. Eu concordo. E quando uma destas coisas, efectivamente, não está em harmonia com as restantes é riscar os dias no calendário para a revolução começar. É altura de mudar. É difícil admitir, de que é feita a nossa vida (?), o nosso carácter (?) e a pessoa que formamos diariamente (?), especialmente quando o fazemos a sós, lá no quarto à noite ou nas cinco horas semanais de viagens, enquanto a música nos chega ao coração e os olhos não descolam da janela, do sol, da terra, do azul-céu, da estrada ou apenas da escuridão da noite, do absoluto e do nada. É difícil quando sozinhos caminhamos na direcção que nos parece ser a mais parecida com nós mesmos, e de repente, o primeiro copo da pirâmide de champagne caí, e todos os outros, a seu tempo, vêm caindo por aí abaixo, e pensamos: estou a fazer tudo mal, desviei-me, lá eu sei como, quando e porquê, do caminho que estava a seguir, da direcção que tinha traçado para mim. É nessa altura que nos convencemos que é hora de fazer obras cá em casa. É A Hora! Lá esvaziamos todas as divisões e, na garagem ficam em espera as tais recordações, os quadros, as folhas e canetas com a história da gente, os remendos das calças de ganga ou as lições que estão coladas em post-it na alma, das quais não nos separamos "nunca". Até o quarto, o nosso querido, tão querido quarto é esvaziado e, sentimos-nos vazios... Depois de tudo esvaziado, há que deitar abaixo as paredes, tudo o que nos prende, tudo o que nos limite, tudo o que nos determine o horizonte, e estar livres, e conquistar a nossa própria liberdade que não é sinónimo de bem-estar (desengane-se quem julgue que sim, a liberdade é muitas vezes reflexão e solidão). Reflectimos, choramos, esperneamos, para deitar tudo de mau fora, para nos libertarmos, libertarmos até ficarmos limpos, quase puros. Enchemos o saco do lixo preto e vamos até ao contentor mais próximo para nos livrarmos rapidamente de parte da nossa vida, antes que nos dê uma crise de sentimentos e deitemos tudo a perder. Esperamos, há sempre um tempo de espera, por nós e pelos outros, pela vida. O tempo é uma dádiva que nos foi concedida. Eu acredito nisto. A espera para mim é das coisas mais difíceis que, as pessoas como eu, têm que enfrentar. Assim que nós vazios, livres e quase puros, quase tranquilos, quase serenos, estamos prontos (!): começa o melhor, o mais aliciante, a aventura, a verdadeira aventura desta vida, fazer de nós aquilo que quisermos ser. Começam as obras e os debates, a assembleia da alma reúne e toma decisões. Mais uma vez, voltamos a construirmos-nos, devagar, sem pressa, o que interessa é o caminho que fazemos não o tempo que demoramos a lá chegar.
Estou com sérias dúvidas, acho que atropelei algumas etapas, fui depressa demais nestas, esperei por outras, não fiz as pausas no timing certo. Acho que a meio, vou começar (outra vez) de novo, quero fazê-lo bem. Quero ser «um filha da puta a menos». Quero «ser a diferença que quero ver no mundo». Quero Ser. Mas há que ter coragem, palavra-chave neste trabalho civil. Coragem! Não vou ter medo. Não vou ter medo. Não vou ter medo! (mantra dos próprios tempos)
*sei de erros cometidos na coesão frásica e sintáctica, do uso de redundâncias, de repetições e de clichés mas fi-lo para uma melhor expressão emocional.
23 de fevereiro de 2012
22 de fevereiro de 2012
21 de fevereiro de 2012
Vaivém Lisboa-Coimbra Coimbra-Lisboa
Bem, escrevo neste blogue http://vaivemlisboacoimbracoimbralisboa.blogs.sapo.pt/, desde à algum tempo em anonimato, sem seguidores e sem seguir nenhum blogue publicamente. Hoje decidi que não o queria fazer mais, quero fazê-lo publicamente, quero poder partilhar os meus pensamentos e opiniões nos blogues que sigo diariamente quase às escondidas, e decidi criar a II versão do Vaivém Lisboa-Coimbra Coimbra-Lisboa no blogspot, primeiro porque já conheço a "casa", porque ainda à mais tempo atrás tive este blogue aqui, segundo porque um dos propósitos deste blogue é ir contando o que se vai passando comigo a duas amigas que estão em Lisboa, e que também fazem parte da blogosfera, nomeadamente do blogspot e é francamente mais fácil e prático. Portanto desde já um sorriso a todos os que por aqui passarem por acaso.
20 de fevereiro de 2012
Ham-sa (em sanscrito quer dizer eu sou aquilo, é o mantra mais natural)*
Assim como assim, sou uma rapariga feita e refeita de sonhos e aspirações. Ora ténue, ora intranquila. A minha alma é desregrada, girei muitas vezes, para dar a volta. Já pus um ponto final e já o troquei por uma vírgula, no caminho que faço. Considero-me uma mulher do mundo, não me sinto presa a um país, a um idioma, a uma família nem a um coração, «seja como for gostamos de partir. gostamos de partir por essas frágeis razões, essas insignificantes justificações, indefiníveis e quase inconfessáveis, que, afinal de contas, governam a nossa vida e até o nosso amor pelos livros.».
Sou de raivas e gritos. Desiludo e traio. Minto mas amo. Sigo valores e fé. Julgo e critico a comodidade. A desordem impera na minha vida (mas até mesmo a desordem necessita de uma ordem que lhe dê um sentido para que não seja apenas leviandade). Sou feita de palavras, simples, às vezes feias, outras bonitas, rectas, fortes e leves, de palavras perdidas, outras achadas, algumas escondidas, e aprendi (já aprendi) que a verdade é o que nos dá a liberdade, "fora isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo" do Grande Fernando Pessoa.
* sâncristo é uma língua antiga que está extinta na Índia, a não ser nas orações e estudo religioso.
mantra são palavras ou sílabas sagradas que são repetidas com grande concentração.
(lamento que Ham-sa não possa estar em itálico no título do post)
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