Tenho um labirinto congestionado de ideias, pensamentos, conclusões, conversas, apontamentos, citações, referências, frases ou palavras soltas a navegar na minha cabeça. Não consigo agarra-las todas (poucas são as que eu agarro) não sei filtrar toda a informação que tenho dentro de mim. Não sei organiza-la. E não consigo aponta-la sempre (poucas são as vezes que aponto). Depois, como é um vento que ora me atormenta ora me refresca e não volta para trás, deixo ir, deixo todos os pensamentos fugirem da caneta e do papel, deixo-os passar. Por isso, só eu me conheço, ninguém me conhece como eu. Ainda não sei gerir o melhor que há em mim. Ainda me ando a explorar, a descobrir. Gostava de ficar sentada num banco do jardim a olhar para a minha cabeça, para toda esta confusão e mistura, e escrever num caderno de linhas e capa preta sobre ela, dizer-lhe: Olá, posso desmistificar-te? Quero um dia ser daquelas mulheres boas no que fazem, coesas no que escrevem, com um estilo e uma habilidade singulares. Não confusa, não perdida, não nesta azáfama. Mas segura, forte, com tudo extremamente definido na sua personalidade, na sua visão do mundo e dos homens. Quero ser uma mãe daquelas que não se esquecem, que dão lições de vida, que se eternizam, de quem se relembra as frases mais acertadas e bonitas.
(Uma Sophia de Mello Bryner Anderson. Em alguns aspectos que são absolutamente de uma Mulher.)
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