20 de fevereiro de 2012

Ham-sa (em sanscrito quer dizer eu sou aquilo, é o mantra mais natural)*



Assim como assim, sou uma rapariga feita e refeita de sonhos e aspirações. Ora ténue, ora intranquila. A minha alma é desregrada, girei muitas vezes, para dar a volta. Já pus um ponto final e já o troquei por uma vírgula, no caminho que faço. Considero-me uma mulher do mundo, não me sinto presa a um país, a um idioma, a uma família nem a um coração, «seja como for gostamos de partir. gostamos de partir por essas frágeis razões, essas insignificantes justificações, indefiníveis e quase inconfessáveis, que, afinal de contas, governam a nossa vida e até o nosso amor pelos livros.».

Sou de raivas e gritos. Desiludo e traio. Minto mas amo. Sigo valores e fé. Julgo e critico a comodidade. A desordem impera na minha vida (mas até mesmo a desordem necessita de uma ordem que lhe dê um sentido para que não seja apenas leviandade). Sou feita de palavras, simples, às vezes feias, outras bonitas, rectas, fortes e leves, de palavras perdidas, outras achadas, algumas escondidas, e aprendi (já aprendi) que a verdade é o que nos dá a liberdade, "fora isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo" do Grande Fernando Pessoa.






* sâncristo é uma língua antiga que está extinta na Índia, a não ser nas orações e estudo religioso.
  mantra são palavras ou sílabas sagradas que são repetidas com grande concentração.
(lamento que Ham-sa não possa estar em itálico no título do post)

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